14 de abril de 2011

Vida digna

Hace tiempo abracé a Ramón Fernández Durán en una mani. Apenas nos conocíamos personalmente, pero me abrazó. Es uno de los primos mayores, que tanto bien nos ha hecho a mi generación. Si no hubiese sido por gentes como él (pienso en Carlos Taibo, en Miguel Romero, en Anna Monjó...) hubiésemos estado más huérfanos, más acosados, frente a aquella horda de Marios Conde que (se) quisieron erigir en nuestros iconos generacionales.
 Ayer cumplí años: 45. Por primera vez sentí cierta angustia porque quienes me rodean se mueren o enferman, corrompiéndose su cuerpo, estropeándose sus facultades... se me están muriendo
Ramón, se despedía de nosotros con esta carta. No os la perdáis. Está escrita con la tinta de las venas. Y la remata la calavera con las espadas en alto.
¿Cuánta dignidad más cabe en tu enorme humanidad, Ramón?
Puta decadencia: qué bien que te la ha jugado Ramón.
Bendita vida: qué bien te ha honrado.

Gracias Ramón por esa felicitación no intencionada de cumpleaños. Me voy a tus dos últimos libros: La quiebra del capitalismo global: 2000-2030. Preparándonos para el comienzo del colapso de la civilización industrial (Libros en Acción, Red Baladre y Editorial Virus) Aquí esta una versión on-line previa en pdf. Y El Antropoceno. La expansión del capitalismo global choca contra la biosfera (Libros en Acción y Editorial Virus) Aquí hay también una versión on-line que no estoy seguro de si es la misma que la publicada en papel.
Gracias también a quienes, de un modo u otro, os comunicasteis conmigo para contarme que os alegráis de que envejecemos juntos, sin distancias ni lugares que nos separen. Juntos, en lo irreversible.

3 comentarios:

JLV dijo...

He leído la carta completa. Sé que la intención de este hombre no es esa, pero a mí, sinceramente, me ha dejado hecho polvo. No sé yo si es que estoy de bajona o qué, pero me he sentido mal leyendo esto. Ya sé que es muerte digna, mas no deja de ser muerte. Alabo su valor y, sin embargo, también me da vértigo. Poner en perspectiva tu vida en una carta así, es como mirarlo todo desde un precipicio teniendo conciencia de la altura y de la sensación de que te caes, de que siempre estás cayendo. Cuando cuenta lo de la fiesta con toda la gente que conoció en su vida, joder... me cuesta mucho leer estas cosas. Será que soy muy cobarde.

VSB dijo...

Me envía Tânia, parte (I):

Em forma de epílogo conheço Ramon. É muito pouco para uma vida e, por outro lado, é grande para minha vida, na sua página atual.
Sua força de existir no acabamento coloca uma estranha e doce confusão: ser o dono de sua vida até o fim.
As vezes que pensei em deixar a vida foram ilusões passageiras e, portanto, não cheguei a deitar sobre o solo, como faz Ramon, tantos pontos, mapas, contas e tantos sinais vitais. De todas as palavras que finalizam suas lúcidas e serenas idéias me chegavam a impressão de estar tocando um homem muito vivo, deste tipo que pode até deixar a vida, mas vai ser difícil morrer.
A sua fotografia me permite imaginá-lo alimentando-se pelo estômago, e desta imagem, cujo drama é por ele por ele exorcizado, sinto a festa que se aproxima e que é por ele, para ele e é DELE.
Eu o conheço sob forma textual de despedida e é ele que convida, não para dizer que da sua morte cuida ele, mas para continuar vivo e consigo até o fim.

VSB dijo...

(y II)

Em forma de epílogo conheço Ramon. É muito pouco para uma vida e, por outro lado, é grande para minha vida, na sua página atual.
Sua força de existir no acabamento coloca uma estranha e doce confusão: ser o dono de sua vida até o fim.
As vezes que pensei em deixar a vida foram ilusões passageiras e, portanto, não cheguei a deitar sobre o solo, como faz Ramon, tantos pontos, mapas, contas e tantos sinais vitais. De todas as palavras que finalizam suas lúcidas e serenas idéias me chegavam a impressão de estar tocando um homem muito vivo, deste tipo que pode até deixar a vida, mas vai ser difícil morrer.
A sua fotografia me permite imaginá-lo alimentando-se pelo estômago, e desta imagem, cujo drama é por ele por ele exorcizado, sinto a festa que se aproxima e que é por ele, para ele e é DELE.
Eu o conheço sob forma textual de despedida e é ele que convida, não para dizer que da sua morte cuida ele, mas para continuar vivo e consigo até o fim.
Ganha de mim um perdão pelo desencontro tão perene entre nós, mas ao final eu cheguei a tempo, pelas mãos de Victor, nosso irmão comum.
Sem dar ao quadro as tintas que evidenciam os estertores, ressalta um quando que faz triste a quem o mira, mas como quem busca dar vida aos olhos que o seguem, dá uma lição ou uma opção sobre como manter-se vivo e digno nas soberanas e derradeiras decisões.
Na minha peleja, eu tento descobrir em mim e no meu derredor muitas maneiras de fazer valer a vida. E a despedida de Ramon me deu a impressão de que não estou sozinha, tem gente que vive estágios muito avançados e radicais da reta final e mantém-se pronto para separar o que tem de são daquilo que lhe cancela a vida. Pelo que entendi, pelo que alcancei, Ramon, sem pretender diretamente, me deu uma energia, uma coragem, uma vibração e, ao meu lado conservador, trouxe uma tristeza por saber que alguém que assim se despede já está partindo.

E você, Vi, quando lhe escrevi queria falar que lhe quero vivo, como você viu na minha mensagem. Pois me fale de suas mortes e façamos juntos os sepultamentos dessas nossas vidas que querem passar. Tem uma velha música de um cantor cearense, Belchior que a certa altura diz: mas se quiser me matar.... mata-me logo, à tarde, às 3. porque à noite eu tenho compromisso e não posso faltar....
Quero ver a sua reação à carta de Ramon. Como ele disse: celebre a vida!

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